Sem gestão na propriedade, pecuária brasileira pode diminuir até 2040

Estudo da Embrapa mostra que o pecuarista que não fizer gestão e investimento em tecnologia na pecuária de corte, vai deixar a atividade daqui duas décadas

gado de corte da pecuaria brasileira

A pecuária brasileira é referência mundial, seja pelos modelos de confinamento, ou ainda, devido aos altos índices de produtividade e engorda do boi.

Contudo, estudos mostram que o criador que não aplicar gestão e investir em tecnologia pode ficar pra trás.

O pecuarista, Antônio Vasconcellos, cria gado de corte no município de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Com o preço da arroba em alta, ele já planeja novos investimentos na propriedade.

“Tudo que tiver na parte técnica nós vamos colocar. O objetivo nosso é comprar animais mais novos desmamados, precoces, fazer recria e engorda dos animais. Vamos colocar, o mais breve possível, uma carne nova e de qualidade no mercado, esse é nosso objetivo”, comentou.

O também criador da região, Manoel Rainho Júnior, está preocupado com a eficiência reprodutiva do rebanho.

“Uma coisa importante é focar nessas doenças reprodutivas que, muitas vezes, a gente deixou isso de lado porque não acreditava, mas agora o caminho talvez é dar um foco nisso”.

Atualmente, a vocação da região é a pecuária de corte, mas segundo a coordenadora do sindicato rural de Presidente Venceslau, Eliana Gomes Barreto Garcia, ainda existem alguns gargalos na gestão das propriedades.

“As principais necessidades da nossa região é a questão da pastagem. Eu vejo que tem muitas pastagens degradadas e, principalmente, nessa época de seca a gente vê que vários produtores sofrem muito com a questão de alimentação do gado.

Pesquisa da Embrapa mostra que pecuária brasileira pode ser afetada até 2040

Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que o pecuarista que não fizer gestão e investimentos em novas tecnologias na pecuária de corte vai deixar a atividade até 2040.

De acordo com o instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de São Paulo, Luis Henrique Soriano, inicialmente existe um gasto, entretanto, o custo benefício vale a pena.

“Muitas vezes se fala em gestão e ele [pecuarista] acha que isso implica em gastos e custos, ainda mais, nesse sentido, que o nosso produtor, o nosso empresário rural, tem dificuldades com custos”.

“Dessa forma, ele vê somente o custo inicial de investimento, só que ele esquece de uma coisa fundamental, que é o custo benefício que esse investimento trará de retorno”, ressaltou

Por fim, pra quem quer começar essa gestão na propriedade de gado de corte, confira três principais dicas do Senar São Paulo.

Dica 1
“Primeiro, conheça a sua atividade. Realmente seja um pecuarista, seja um produtor de carne e conheça toda a cadeia”.

Dica 2
“Segundo, se prenda no custo. Nós temos que trabalhar no limite de custos que seja compatível com a nossa produção”.

Dica 3
Enfim, por terceiro, estudem, estudem e estudem a atividade”, finalizou Luis, instrutor do Senar.

Notícias Relacionadas:

Pousada ao pôr-do-sol com árvores é opção para turismo rural

Inovação ajuda na retomada de turismo rural em São Paulo

Demanda por turismo rural deve aumentar com a flexibilização das atividades no estado

Preço da batata sobe

Falta de chuva faz preço da batata subir 76% em outubro

Cepea/Esalq prevê manutenção da valorização dos preços nos próximos meses devido ao “adiantamento da colheita” e baixo volume de chuva

Família Nação Agro explora mercado de cogumelos, apicultura e turismo rural

Durante a semana, projeto do SENAR-SP visitou os municípios de Sorocaba e Ubatuba