Com a pandemia, aumenta o consumo de carvão e lenha

O uso inadequado do fogo pode intensificar problemas respiratórios

Fonte Eco 2010

Por Tobias Ferraz

O prazer de cozinhar no fogão a lenha uma vez ou outra e reforçar uma tradição bem brasileira, acender a churrasqueira no final de semana para reunir a família são atitudes aparentemente inofensivas, mas quando o uso de biomassa – fonte vegetal – é conduzido de forma inadequada, podem ocorrer danos para a saúde e o meio ambiente.

O pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo Ananias Francisco Dias Júnior é engenheiro florestal de formação e doutor na área de bioenergia e bioproduros de base florestal, é um estudioso dos impactos do carvão e lenha no nosso dia a dia – “O Brasil produz cerca 6 milhões de toneladas de carvão, 90% deste volume é consumido pela siderurgia, principalmente no Estado de Minas Gerais. Outros 170 mil toneladas de carvão e lenha vão para uso doméstico ou para restaurantes, desse total, entre 18 mil e 22 mil toneladas de carvão são usadas para preparo de churrasco.” aponta o pesquisador.

O Dr. Ananias destaca que, segundo dados do IBGE de 2019, cerca de 6 a 7 milhões de famílias usam lenha para o preparo das refeições no Brasil, e nem sempre os fogões são construídos com chaminés ou dispositivo para retirar a fumaça do ambiente – “Além de gases tóxicos que podem ser emitidos pelo fogo e pela fumaça, a fuligem, aquele pó preto formado por partículas minúsculas, pode trazer sérios problemas respiratórios.” – explica.

Ainda de acordo com dados do IBGE, nos últimos dois meses foi registrado um aumento de 5% no uso de carvão ou lenha para o preparo de alimentos, dado que chama a atenção em tempos de quarentena para evitar a propagação do novo coronavírus, quando as pessoas ficam mais dentro de casa. De acordo com o pesquisador, este é o problema, maior – “As pessoas de baixa renda é que estão usando mais lenha no preparo das refeições, em moradias com fogões sem adequação e sem muita divisão do espaço na habitação.” – destaca ele.

O uso de carvão e lenha para o preparo de alimentos pode ser feito de forma correta e sem danos à saúde. No Estado de São Paulo existem normas para a produção de carvão vegetal de qualidade. Alguns indicadores podem ser observados como referência na produção de calor como mais de 73% de carbono, umidade abaixo de 0,5% e produção de cinzas menor que 1,5% do volume inicial do carvão.

O jornalista Tobias Ferraz conversou também por Skype com o Dr. Ananias Júnior.

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